7 Povos das Missões

O Tenondé Park Hotel orgulha-se de ser Brasileiro, Gaúcho e Missioneiro. Temos nossas raízes firmes na cultura e na hospitalidade da região das missões. Para nós, a história de nossa terra e nosso povo tem muito o que ensinar a todos os tipos de civilizações.

História das Missões

Conhecer a Região das Missões é uma verdadeira viagem no tempo, à magia e aos mistérios desta terra. Andar por aqui é reviver a saga dos primeiros padres da Companhia de Jesus, os jesuítas, que em 1609 atravessaram o mundo para conviver com os índios guaranis dentro dos princípios da fé cristã.
As Missões são um lugar de visita fundamental a quem pretende entender as raízes do sul do Brasil e da América Latina e apresenta aos seus visitantes diversos patrimônios culturais da humanidade e descortina o cenário de 160 anos de história, onde Jesuítas e Guaranis realizaram os ideais do Cristianismo na prática. Andar pelos caminhos que uniam a antiga província jesuítica do Paraguai, hoje distribuídos pelas fronteiras do Mercosul, é sentir a energia presente que emana de cada um desses atrativos.

As reduções jesuítico-guarani, localizadas em território hoje brasileiro, eram conhecidas por Sete Povos das Missões:
São Francisco de Borja, fundada em 1666
São Nicolau, 1687
São Luiz Gonzaga, 1687
São Miguel Arcanjo, 1687
São Lourenço Mártir, 1690
São João Batista, 1697
Santo Ângelo Custódio, 1706

Hoje, é possível visitar os remanescentes arqueológicos de quatro dessas reduções:

Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo: dos antigos sete povos jesuítico-guarani que ficaram no Rio Grande do Sul, São Miguel se destaca por apresentar o maior número de estruturas e em melhor estado de conservação, tanto que foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade em 1983.
Dentro do sítio é possível visitar o Museu das Missões, assistir ao espetáculo Som e Luz e ter contato com índios guaranis e o artesanato que produzem atualmente, além de adquirir artigos de recordação.

Sítio Arqueológico de São Nicolau: o sítio arqueológico de São Nicolau foi objeto de importantes pesquisas de arqueologia histórica, onde foram evidenciados pisos cerâmicos e fundações dos prédios da antiga redução, que se distribuem sob toda a cidade atual. É possível visitar também a antiga adega subterrânea dos padres e uma exposição sobre os trabalhos de escavação arqueológica executados em 1980.

Sítio Arqueológico de São Lourenço Mártir: no sítio arqueológico é possível visitar remanescentes da Igreja, do cemitério, colégio e o espaço da quinta da antiga redução, parcialmente encobertos pela vegetação. Na portaria, uma exposição sobre os resultados das pesquisas arqueológicas realizadas em São Lourenço. Podem-se ver também as ovelhas missioneiras.

Sítio Arqueológico de São João Batista: podem-se observar restos da estrutura do cemitério, da igreja e do colégio, além de estruturas complementares como olarias, barragem, estradas. Um vídeo, uma exposição com achados arqueológicos e trilha de interpretação eco-cultural complementam o roteiro de visita. Em todo o sítio afloram peças esculpidas em pedras grês. Placas interpretativas contam a História a partir dos relatos feitos na época em cartas escritas pelos padres.


Missioneiro, uma mistura de povos

A cultura missioneira é um mosaico de etnias. Além da presença do Guarani, dos espanhóis e portugueses, também é forte a influência da cultura alemã, italiana, polonesa e negra. Esta mescla permite a riqueza na fisionomia do povo e nas manifestações culturais, desde a gastronomia até a arquitetura.
Todo o processo pós Missões de ocupação territorial na região missioneira aconteceu inicialmente na região de campos, vinculada à economia do gado. Somente no final do século XIX vai se iniciar o processo de colonização na região de matas. Estes novos colonizadores iniciam uma grande modificação na paisagem missioneira, com a implantação de grande lavoura, como a do trigo e soja.

Os 7 Povos das Missões e as Guerras Guaraníticas

Os jesuítas em duas ocasiões tentaram estabelecer-se à margem oriental do Rio Uruguai, região conhecida como El Tape, de propriedade espanhola, com o objetivo de catequizar os índios guarani pelo sistema das reduções.

O chamado Primeiro Período da História Missioneira se deu entre 1609 e 1641 e teve como protagonista e idealizador o Pe. Roque González de Santa Cruz, nascido em Assunção, quem, a partir da primeira missão, em San Ignacio Guazú (hoje no Paraguai) lançou as bases do sistema reducional. Em 1626, no lado oriental do Rio Uruguai, fundou a missão de São Nicolau, acompanhado de outros dois jovens padres jesuítas espanhóis: Juan de Castillo e Alfonso Rodríguez. Nos anos seguintes, outras missões foram implantadas no hoje Rio Grande do Sul, nas proximidades das atuais cidades de São Borja, Ijuí, além da redução de Caaró (em guarani: erva amarga).Em 1628, estes três padres foram martirizados por ordem do cacique guarani Nheçu.

Outros jesuítas, porém, deram prosseguimento à implantação das reduções, trazendo uma novidade, que mudaria para sempre a região: o gado bovino.

As reduções, porém, eram sujeitas a um grande flagelo: os bandeirantesprovenientes de São Paulo. Os bandeirantes eram verdadeiros caçadores de índios, mão-de-obra mais barata do que a importada da África. O fato de os índios passarem a adotar um estilo sedentário (e não mais nômade) com as reduções, facilitava o trabalho dos bandeirantes, que conseguiam, assim, capturar muitos índios de uma vez só e levá-los para São Paulo.

Havia hesitação por parte da Coroa espanhola em permitir que armas fossem entregues aos índios e jesuítas, de forma que as investidas paulistas eram crescentes. O bandeirante Raposo Tavares (cujo nome foi dado a uma importante rodovia paulista) foi um destes que assolaram as missões jesuíticas do Tape. Em meio a este cenário, houve dispersão generalizada dos índios guarani e a experiência das reduções frustrou-se.

Apenas a partir de 1682 é que os jesuítas ganharam novo fôlego para empreender o projeto reducional, do qual eram entusiastas. Inicia-se assim oSegundo Período da História Missioneira, com a fundação de 30 povos espalhados entre os atuais territórios do Paraguai, Argentina e Brasil, sendo que em 1732, quase 150 mil guarani estavam, voluntariamente, integrando alguma destas reduções.

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Na margem oriental do Rio Uruguai, 7 destes povos foram implantados e as missões estavam assim dispostas (o mapa apresenta algumas inconsistências na localização exata das missões, mas é claro ao enquadrá-las no que depois veio a ser o Brasil):

Os Sete Povos

Os jesuítas eram metódicos e estabeleciam regras claras para o funcionamento das reduções. Durante dois dias da semana, os índios homens trabalhavam para a produção de alimentos para a coletividade (tupambaé) e nos outros quatro dias trabalhavam para a produção de alimentos para a sua família (abambaé). No domingo, era proibido trabalhar, devendo assistirem à missa e a catequese (que era ministrada em língua guarani). Havia grande fartura alimentar, em especial de carne bovina e ovina, milho, trigo, cevada e algodão.

No início, chegou-se a proibir a utilização da erva-mate (Ilex paraguaiensis), conhecida desde tempos imemoriais pelos guarani, uma vez que a erva era utilizada em cultos animistas. Mas os jesuítas perceberam, com o tempo, que era melhor que os índios consumissem o mate do que o cauim, um fermentado alcóolico.

Todas as reduções eram estabelecidas em uma grande praça na qual estavam a igreja, as casas dos índios, as casas dos padres, a casa do cabildo (as lideranças tradicionais, os caciques ou pajés, foram mantidas), o cotiguaçu, o cemitério e o local das hortas.

Havia escolas e aos índios era oferecido o contato com a arte (arquitetura,pintura, escultura, música). Conta-se que finos instrumentos musicais eram produzidos nas missões e que os corais de índios em nada deviam aos melhores corais europeus. Até experimentos com imprensa e astronomia chegaram a ser realizados.

A administração da justiça era decidida pelos líderes indígenas sob a supervisão dos jesuítas. Aos (raros) casos de homicídio e outros delitos atrozes era aplicada a pena de prisão perpétua. Delitos de menor importância acarretavam, em uma primeira vez, apenas a advertência. Na reincidência, a pena era de 10 chibatadas em praça pública.

Havia estrita fidelidade dos jesuítas e dos guarani à Coroa Espanhola.

Mas eis que, em especial pela astúcia portuguesa, os dois países ibéricos sentaram-se para renegociar os limites entre seus domínios na América do Sul, dada a obsolescência do Tratado de Tordesillas.

Em 1750, portanto, assina-se o Tratado de Madrid, pelo qual, dentre outras disposições, Portugal cedia à Espanha a Colônia do Sacramento, no Rio da Prata e, em compensação, receberia as terras à margem oriental do Rio Uruguai. Estabelecia-se que os padres jesuítas espanhóis e os índios deveriam sair das agora terras portuguesas, abandonando todos os seus bens, exceto os de uso pessoal.

MAPA - HISTÓRICO - BRASIL - POVOS DAS MISSÕES

Esta notícia foi devastadora para as missões. Os padres e também os guarani sentiram-se traídos pela Espanha, a quem sempre juraram fidelidade e decidiram que não iriam arredar os pés das reduções, compreendendo os guarani que aquelas terras não eram portuguesas nem espanholas, mas eram suas (daí a famosa frase pronunciada pelo guerreiro guarani Sepé Tiaraju: Ko yvy oguereko yara, “esta terra tem dono”).

Deu-se início às guerras guaraníticas (que eclodem em 1754), tendo, de um lado, os indígenas liderados por Sepé Tiarajú e, do outro, espanhóis vindos de Montevidéu e Buenos Aires aliados aos portugueses vindos do Rio de Janeiro.

Os indígenas, que conheciam muito melhor os campos de combate, ofereceram inesperada e tenaz resistência às incursões ibéricas, mas, em 1756, Tiajaru foi assassinado, na Batalha de Caiboapé, causando a derrota das tropas guaranis.

Os jesuítas, em 1759, foram expulsos de todas as terras portuguesas e, em 1767, de todas as terras espanholas. As reduções entraram em profundo declínio até que desapareceram. No séc. XIX, houve a repovoação das áreas dos 7 Povos, inclusive com imigrantes alemães, italianos e poloneses.

Na entrada da cidade de São Miguel das Missões há um portal com muitas alusões às guerras guaraníticas, inclusive a estátua de Tiaraju e sua famosa frase:

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(Texto e imagens por Aender: www.aender.com.br)